quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cidade de Goiás - Cora Coralina

CORA CORALINA

"Versos... não
Poesia... não
um modo diferente de contar velhas histórias"

(Poema Ressalva, extraído do livro Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais)
Voz viva da cidade de Goiás, personagem e símbolo da tradição da vida interiorana, Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na casa que pertencia à sua família há cerca de um século e que se tornaria o museu que hoje reconta sua história. Filha do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e Jacita Luiza do Couto Brandão, Cora, ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto (seu nome de batismo), cursou apenas as primeiras letras com mestra Silvina e já aos 14 anos escreveu seus primeiros contos e poemas. Tragédia na Roça foi seu primeiro conto publicado.

Em 1934 casou-se com o advogado Cantídio Tolentino Bretas e foi morar em Jabuticabal, interior de São Paulo, onde nasceram e foram criados seus seis filhos. Só voltou a viver em Goiás em 1956, mais de vinte anos depois de ficar viúva e já produzindo sua obra definitiva. O reencontro de Cora com a cidade e as histórias de sua formação alavancou seu espírito criativo.

Tradições e festas religiosas, a comida típica da região, as famílias e seus 'causos', tudo motivava a escritora fazer uma ponte entre o passado e presente da cidade, numa tentativa de registrar sua história e entender as mudanças. Nas suas próprias palavras: "rever, escrever e assinar os autos do Passado antes que o Tempo passe tudo ao raso". Com a mesma rica simplicidade de seus personagens, Cora fazia doces cristalizados para vender.
Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e outras histórias mais, foi publicado em 1965, e levou Cora, aos 75 anos, finalmente a ser reconhecida como a grande porta-voz de uma realidade interiorana já afetada pelo avanço da modernidade. O poeta Carlos Drummond de Andrade, surpreendido com a obra de Cora, escreveu-lhe em 1979: "(...) Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadezadas coisas naturais (...)".
Cora Coralina faleceu em Goiânia a 10 de abril de 1985. Logo após sua morte, seus amigos e parentes uniram-se para criar a Casa de Coralina, que mantém um museu com objetos da escritora.

Carlos F. d'Andréa
Alguns dos prêmios que recebeu:

- Doutor Honoris Causa - Universidade Federal de Goiás (1983)
- Troféu Juca Pato - União Brasileira dos Escritores (1983)
- Troféu Cora Coralina - Coordenadoria de Moral e Civismo da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (1982)
- Grande Prêmio da Crítica - Associação Paulista de Críticos de Arte

Obras de Cora Coralina
- Estórias da Casa Velha da Ponte
- Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais
- Meninos Verdes (infantil)
- Meu livro de cordel
- O Tesouro da Casa Velha
- Vintém de Cobre
- A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (Infantil)
- Cora Coragem Cora Poesia (biografia escrita por sua filha Vicência Bretas Than)

Cidade de Goiás






A história da cidade de Goiás, hoje conhecida também como Cidade de Goiás ou Goiás Velho, se confunde com os primeiros passos do estado de mesmo nome. Nas primeiras décadas do século XVIII, começaram a chegar à região bandeirantes paulistas motivados pela descoberta de ouro. Dos diversos arraiais criados em torno dos locais de exploração do mineral, destacou-se o Arraial de Sant'Ana, fundado às margens do rio Vermelho em 1722 por Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Anhangüera.
Em 1736, o Rei de Portugal, com a intenção de cobrar impostos e controlar o contrabando de ouro, além de defender o terrítório dos colonizadores espanhóis, decidiu fundar a Vila Boa de Goiás. A nova cidade se tornou sede da Capitania das Minas de Goiás, desmembrada da de São Paulo, e logo incorporou o Arraial de Sant'ana. O nome Goiás é uma homenagem aos antigos ocupantes das terras, os índios Goiá.
A exploração do ouro de aluvião (encontrado nas margens dos rios) entrou em decadência na segunda metade do século XVIII, justamente quando as concentrações de população começavam a se organizar e as principais edificações da cidade foram construídas. Uma das justificativas para a simplicidade da arquitetura local está na decadência econômica dessa fase. Com a população predominante de negros e mulatos, a cidade passou a crescer independente das explorações e ocupações desordenadas dos bandeirantes. Os chafarizes e poços, por exemplo, foram construídos à medida que cresciam as necessidades da população.
Capital do estado até 1930, quando se deu a transferência para a recém-fundada Goiânia, Goiás é a cidade do estado com maior número de construções protegidas pelo patrimônio histórico. Aos poucos, a cidade onde o escultor Veiga Valle e a escritora Cora Coralina realizaram sua obra vai fazendo do turismo uma importante atividade econômica.